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Wednesday, May 18, 2005

 

...istão

A propósito de um poste no Barnabé, uma resposta ao Bruno Cardoso Reis.

O Bruno Cardoso Reis não tem nada à priori contra os Estados Unidos. Fica-lhe muito bem esse à priori. Senão até podia parecer um desses fanáticos intolerantes. Aparentemente tudo o que o Bruno tem contra os Estados Unidos é porque eles são mesmo mauzões. Tanto, que embora uma vez por outra apareça no Barnabé um ou outro poste sobre americanos, nunca lá li aprovação de qualquer política adoptada pelo governo dos Estados Unidos. Daí esse governo ser mesmo mau, nem uma única política positiva para o Bruno e para os outros Barnabés. Olhem que é obra, estar sempre errado. Estar sempre errado é quase tão difícil como estar sempre certo. Mesmo o governo mais incompetente deve acertar por vezes... E tal como o governo, por extensão a maioria dos americanos, já que os Estados Unidos são um país democrático: um governo de rednecks para uma nação de rednecks. No entanto os Brunos deste mundo não se deixam cair numa armadilha assim tão simples. Assim, conforme as conveniências do momento, o povo americano é manipulado pelos media (os mesmos media que são mais críticos do poder que qualquer jornal europeu, já para nem falar noutras regiões do mundo), por uma conspiração capitalista, pelos seus aliados, por interesses obscuros, enfim é só escolher.

É verdade que qualquer política que se escolha nunca é isenta de críticas. Mas, como Revel sublinhou, apenas os Estados Unidos são criticados por fazer e por não fazer. Por uma política e pela política contrária. Até se fica a pensar que o alvo real da crítica é o seu sucesso, não as suas falhas (que existem, claro!).

E vou resumir a minha crítica ao poste: posso até achar aceitável que um americano exija standards de ética mais elevados do seu governo, até porque encaixa bem nas suas próprias tradições. O que já é menos aceitável é que qualquer um se sinta no direito de criticar o governo americano sem olhar para as suas próprias traseiras. É que a Europa e os seus estados-nação não têm nada que aprender em termos de hipocrisia diplomática, colonialismo ou imperialismo. Antes pelo contrário.

Sei que os moralistas à esquerda e à direita gostam muito de apontar para o lado numa tentativa de esconder as suas próprias deficiências. Nem me apetece entrar nesse jogo: poucos países têm uma história impoluta, e os que a têm é porque ainda não tiveram tempo para ter história.

A situação no Uzbequistão é apenas a repetição de tantas outras - o Bruno escreve sobre a Ucrânia, mas podia ser a Tchéchenia ou a Georgia - provocadas pelo desabar do império colonial dos russos. Para nem recuar muito, quem ainda hoje se lembra da guerra entre a Arménia e o Arzebeijão? Qual é que era a posição ideológica politicamente correcta nesse conflito? Dependia das imagens que passavam nas televisões?

Provavelmente assim seria... Não é sempre? Razão tinha Goebbels, que dizia que uma mentira, se repetida vezes suficientes, era verdade. Portanto assim é: os Estados Unidos, que forçaram as potências europeias a desmantelar os seus impérios coloniais em África e na Ásia no final da II Guerra Mundial são colonialistas. Os carroções com os colonos já vão de abalada para o Iraque sob a protecção do 7º de cavalaria de Fort Fallujah, à conquista de um novo Wild West. Repitam vezes suficientes, já há quem acredite, se repetirem mais vezes toda a gente acreditará. E quem não acreditar, que se cale. Os Brunos cá estão para o desacreditar.

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