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Wednesday, September 27, 2006

 

O famoso Key Judgments of the National Intelligence Estimate...

... está disponível online, numa versão sintética. De facto, num ataque «preventivo», a administração Bush resolveu desclassificar este relatório, que já tinha convenientemente transpirado para a comunicação social «isenta», tipo NYTimes e WaPo.

Fiz download do pdf do site da CNN. No momento em que escrevo o link está na página principal, mas sabendo-se do afã dos jornalistas em fazer rodar rapidamente os ciclos noticiosos - principalmente quando as notícias não são muito politicamente correctas - aqui vai um link directo. O mesmo relatório também se encontra disponível aqui, igualmente em pdf.

Sublinham-se os pontos seguintes:

A al-Qaeda está a apanhar uma tareia, mas ainda são perigosos (para os Estados Unidos): United States-led counterterrorism efforts have seriously damaged the leadership of al-Qa’ida and disrupted its operations; however, we judge that al-Qa’ida will continue to pose the greatest threat to the Homeland and US interests abroad by a single terrorist organization.

Apesar de mais espalhado ou difuso, fazendo com que os actores do terrorismo global sejam mais difíceis de controlar, o movimento jidahista não possui uma estratégia global: We assess that the global jihadist movement is decentralized, lacks a coherent global strategy, and is becoming more diffuse.

A intervenção dos Estados Unidos e Grã-Bretanha no Iraque deu origem a uma nova geração de leaders jidahistas: We assess that the Iraq jihad is shaping a new generation of terrorist leaders and operatives. No entanto a sua influência futura depende do seu sucesso nesta luta: perceived jihadist success there would inspire more fighters to continue the struggle elsewhere.

De momento, os factores que espalham o jidahismo sobrepõem-se aos que o fazem diminuir: We assess that the underlying factors fueling the spread of the movement outweigh its vulnerabilities and are likely to do so for the duration of the timeframe of this Estimate.

No entanto as vulnerabilidades do movimento jidahista podem fazer com que a sua difusão seja mais limitada: Concomitant vulnerabilities in the jihadist movement have emerged that, if fully exposed and exploited, could begin to slow the spread of the movement. They include dependence on the continuation of Muslim-related conflicts, the limited appeal of the jihadists’ radical ideology, the emergence of respected voices of moderation, and criticism of the violent tactics employed against mostly Muslim citizens.

O progresso da democracia nos países islâmicos nos próximos 5 anos deverá dividir os extremistas e movimentos dispostos a utilizar os mecanismos democráticos para atingir os seus objectivos locais, embora o período de transição possa originar instabilidade susceptível de exploração por parte do jidahistas: If democratic reform efforts in Muslim majority nations progress over the next five years, political participation probably would drive a wedge between intransigent extremists and groups willing to use the political process to achieve their local objectives. Nonetheless, attendant reforms and potentially destabilizing transitions will create new opportunities for jihadists to exploit.

A Síria e principalmente o Irão utilizam grupos terroristas como ferramenta política: While Iran, and to a lesser extent Syria, remain the most active state sponsors of terrorism, many other states will be unable to prevent territory or resources from being exploited by terrorists.

Existe o risco de outros grupos esquerdistas, anti-globalização e anti-americanos se sintam tentados a utilizar as mesmas tácticas: Anti-US and anti-globalization sentiment is on the rise and fueling other radical ideologies. This could prompt some leftist, nationalist, or separatist groups to adopt terrorist methods to attack US interests. The radicalization process is occurring more quickly, more widely, and more anonymously in the Internet age, raising the likelihood of surprise attacks by unknown groups whose members and supporters may be difficult to pinpoint.

Que a al-Qaeda está a apanhar uma tareia, não é novidade nenhuma. Note-se que o relatório - datado de Abril deste ano - sublinha que a eventual captura de al-Zarqawi - que já não se encontra entre nós - seria uma vitória importante. Acrescente-se que o fim violento das figuras de destaque do movimento jidahista torna-o pouco atractivo para politicos na acepção normal do termo. Restam os casos de manicómio, que embora apresentem os seus perigos - basta lembrar Hitler, Stalin ou Mao - são menos atractivos para a generalidade da população. É por este motivo que uma transição democrática, tal como a iniciada com a operação Iraqi Freedom, apesar de apresentar os seus riscos inerentes - quem não se lembra da transição democrática em Portugal, quando pouco nos faltou para saltar directamente da frigideira fascista para o lume comunista - é também a única via disponível. Já se perdeu uma oportunidade de ouro ao abandonar o Irão à sanha do islamismo radical devido ao contexto da Guerra Fria que se vivia em 1979, associado à politica hesitante da administração Carter.

O jidahismo não começou com a guerra no Iraque, já estava bem activo antes. Activo nos Territórios Ocupados, activo no sul do Líbano e activo na Caxemira. O atentado de 11 de Setembro de 2001 não foi o primeiro contra o World Trade Center. As embaixadas americanas em África não foram atacadas por causa do Iraque, nem por causa da administração Bush. Nisso, as desculpas dos jidahistas confundem-se com as dos esquerdistas: os que em 2000 suspiraram na Europa por Gore, e em 2004 por Kerry, foram os mesmos que pintaram nas paredes «Clinton Go Home». O pecado de Bush não é ser republicano, neo-conservador ou religioso: é ser presidente dos Estados Unidos.

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